segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cicatriz

Ah, teu ingrato. Como podes fazer isto comigo? Não enxergas que teus rastros estão todos à tona mais uma vez por tua culpa?

Marcas que deixastes e que agora se exaltam, próximo ao período da simbólica renovação, sabem perfeitamente de onde vieram. De tu. De tua maldade e impiedade, de teu egoísmo e descaso. Não pensastes nunca que eu poderia tê-las na pele novamente? Pensastes que era demasiada forte para que as escondessem enquanto te furtavas em outro coração? Não, não tenho tanta fibra assim. A bem da verdade, sempre soube que quanto se tratava de ti, me deixava levar.

Há algum tempo teus rastros estavam cobertos, bem cuidados e imersos em uma outra realidade que não no meu consciente. Deixei que eles se revelassem apenas nos sonhos, território que tu ocupas sempre para o bem. Deixei o abandono, o inoportuno e o impossível apenas como lembranças no meu coração. Conformei-me com a ausência deles em prol de tua suposta bondade.

Mas não. Não poderias contentar-te apenas com a lembrança. Tinhas que te tornar presente para que eu não te esquecesse tão cedo, e desde logo, ausentar-te para vir apenas causar-me balbúrdia.

Ah, Amor. Depois de uma vida de dedicação, não sejas tão ousado de querer tirar-te de mim.


"Amor que nunca cicatriza
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida a dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal
Meu coração precisa
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal..."
Cicatrizes (Paulo César Pinheiro/Miltinho)

sábado, 18 de dezembro de 2010

A Falta e o Grito

Essa música é estranha por causa do violão, que acompanha a melodia durante toda a música. Talvez eu não tenha sido muito feliz em fazê-lo assim, mas a maioria das pessoas que escutaram adoraram. Deixei assim. Essa é mais uma que não sei se será publicada, apesar de ter sido feita no dia 2 de abril de 2007, quando eu já tinha uma maturidade considerável. Foi feita para duas amigas, pra Lora e pra Morena (a mesma de A Cor da Pele) um pouco depois que elas viajaram pra Europa pra ficar alguns bons meses e pra me deixar morrendo de saudade e de amor. Duas grandes amigas Santantonianas que não vivo sem. E uma curiosidade boa: o verso "metade de minha metade" explica exatamente a parte que meus amigos ocupam no meu coração: metade da metade é deles, a outra metade da metade é da família. A outra metade é minha mesmo. Não é egoísmo, juro, mas dessa metade sou eu que tenho que cuidar.

A Falta e o Grito – Flávia Ellen


Um dia descobri: nem tudo é o que parece, que há aquelas que realmente merecem
O beijo de uma alma que não padece, que grita que ama e nunca esquece
Grito que perde o chão, mas não a postura, lamenta pela Falta
Medo meu que dorme à noite e acorda nesses versos gritando em voz alta

Por acaso não sei o sentido da vida, hei de descobrir um dia
Não é mais fácil nem mais difícil pra você, Falta, ou pra mim, Grito
O Grito grita pela Falta, mas nem a flauta pode ajudar
A dor de uma parte que foi e outra que ficou, o tempo espera passar

Me contradigo, espero, um Grito só, só pra você voltar
Vá com o vento às suas costas, mas volte pra me contar
Que o Sol brilhe em sua face, metade de minha metade
E mais um dia que se abre fica em uma frase: saudade

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

À Poeta

Uma música endereçada a uma grande amiga, dona de uma sensibilidade não só aparente e de palavras sempre muito preciosas. A poeta, de nome Alexandra Duarte, foi e é peça fundamental nesse meu início de carreira musical, e sempre compartilhamos as mesmas idéias sobre a sensibilidade humana, principalmente em Angra, onde nos conhecemos melhor e onde ela presenciou a composição da minha primeira música. A noite sempre nos foi especial, e nela somos mais produtivas. Por que? Estamos tentando descobrir até hoje.

A outra poeta a que se refere a música é Cecília Meireles, que dispensa qualquer apresentação. Na época, estávamos lendo Viagem e Vaga Música para o vestibular, livros nos quais ela se remetia bastante à efemeridade de tudo, e do vento.

Enfim, é uma música especial pra mim, um diálogo com alguém por quem sempre tive um carinho imenso. Do dia 18 de novembro de 2006.

Um beijo, Xanda.



À Poeta – Flávia Ellen

Um certo dia ouvi uma poeta falar
Que melhor que a noite para escrever não há
Da mesma amiga ouvi dizer
Que a noite transforma o jeito de ser

Mas agora a pergunta que não quer calar
Há uma ligação entre noite e inspiração?
E o que fazer se ela não vem?

Encolher-se num canto, esperar baixar o santo?
Deixar-se iludir, esperar a noite cair?
Pergunte à poeta, talvez tenha a resposta certa
Quem sabe ela não diga também o que fazer se ele não vem

De outra poeta ouvi dizer
Que o vento faz passar o tempo
Dela, quase nunca, ouvi ser declamado
Verso que me ajude a entendê-lo, o bem amado

Mas quando menos espero entra no quarto delicado
O vento ou o bem amado
Mais uma vez só me resta recorrer à poeta

Não sei se é o vento, ele, a noite que ilude, invade, seduz a verdade
Me diga o que fazer pra acabar com essa intriga
Fecho a janela, acendo a luz, finjo ser nada, quase nada
Pinto a parede, de fogo, nego a sede,só não fecho a porta pra ele

E o que fazer se a inspiração não vem?
E o que fazer se ele não vem?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A não ser que

Essa letra é sem dúvida uma das minhas preferidas. Pelo lirismo em que a história se desenvolve, pela intensidade que ela me transmite. Me lembro que não a escrevi para alguém especificamente, e o mais interessante é que sequer estava interessada em alguém. Não tinha motivo, inspiração, homem que me fizesse escrever algo assim. Mas como bem falei com uma amiga esses dias, a maioria das coisas que escrevo não vivi. E isso é ligeiramente intrigante, mas muito gostoso. Espero viver, claro.

A música é do dia 25 de setembro de 2006, e escrevi debaixo de uma chuva deliciosa, enquanto deveria estudar para o vestibular.



A não ser que – Flávia Ellen

Inclua-me em suas ambições
Deixe-me navegar nas suas embarcações
Por todos os mares desse mundo, desse mistério do seu corpo
E que seja tudo sério

E que meus passos me guiem à sua procura
Que seja um dom compartilharmos a mesma loucura
Mas se por obra do acaso eu me perder, eu vou parar, a não ser que...

Você me proponha uma fuga pra qualquer lugar
Em que não haja regras ou limites pra sonhar
Me envolva, me faça descobrir a essência do meu ser
Olhe-se no espelho e veja que detém esse poder

Que me pega e me leva pra longe daqui e ancora meu corpo sem me deixar cair

Mesmo que alguém escute o que dizem essas palavras
Só espero que elas atravessem minutos pelo nada

E que levem até você um sinal que indique a ausência de um final
Pra nós dois, se apresse, não deixe o desejo pra depois
Te espero na rua onde a Lua é sempre cheia
Anseio a vontade desse encontro que incendeia clichês, a não ser que...

Tudo tenha passado como um conto, a saudade encontra a mentira num certo ponto
Os sentidos sejam deixados em segundo plano, tudo acaba e apenas passam-se os anos
O estar toma lugar do ser no mundo, o caminho acaba num poço profundo, a não ser

Que você tome a frente e diga que nada foi em vão
Que fizemos por merecer o que vivemos, não foi ilusão
Que nada é eterno, sempre é tempo demais, mas entre nós não há nunca mais

domingo, 12 de dezembro de 2010

Objetos

A música é do dia 20 de março de 2007. Um samba, pra ser mais precisa, que gosto muito. Aliás, curto muito os sambas que faço. Curti mais ainda depois que meu personal violonist Claytin Neri fez um arranjo lindo de morrer pra ela.

Me lembro também que nesse samba fui claramente influenciada por um dos sambas da Marisa Monte. Fazê-lo foi basicamente doutrinar a frase: "Não quer, não enche"



Objetos – Flávia Ellen

Deixa estar do jeito que terminou
De repente, cadê o amor?
Me olha com os mesmos olhos sempre
E ainda nega algo mais envolvente
Procure outra cama e cobertor
E vá brincar com a sua dor

Não nego minha ira e descontentamento
Com a materialização dos sentimentos
Erro pouco discreto, disperso
Sonho muito secreto, objeto
Quem sabe alguém valorize sua paixão
De viver como se fosse um artesão

Refrão:

Se quer apenas fama e meu calor
Se pra você “sentir” não tem valor
Pegue uma coisa, o seu amor
E vá pra o... Seja onde for

Brinquei contigo, mas isso não quer dizer
Que é brinquedo o que faço valer
Amor e ódio amordaçados
Dom e tom dominados
Mal e bem mal-intencionados
Sim e não simplificados

Refrão

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Afago

O nome que duelou de perto com o nome do blog. Pra mim, uma das palavras mais lindas da língua portuguesa.

A música: não é porque é minha, mas acompanha toda a beleza do nome. Versos longos, do interior, assim como o ritmo, que se assemelha ao baião. Ritmo que não é muito acompanhado pelos acordes que deveriam. Acordes românticos aliados a um ritmo despojado. Essa é a música feita no dia 11 de julho de 2008, poucos dias após meu aniversário de 19 anos.

O único detalhe importante dessa canção, realmente importante, é a palavra "aviador", em homenagem ao meu irmão. Disso ele não sabe.

A música foi pra ninguém. Na verdade, foi uma ode ao amor. Qualquer amor. Pro seu, pro meu, pro dela, pro dele.



Afago - Flávia Ellen


Anoiteceu
Siga reto a curva turva, não aluda à voz aguda, vem pra perto, pro lado meu.
Desvaneceu
Aquela boca muda que desejava a prece que mais parece o arfante peito seu.
Do seu palpite, eu no limite, devaneio em C (dó)
Com cuidado opaco, o afeto fraco pode virar pó

Aconchegou
Junto a seu rosto, eu, seu oposto, bem a seu gosto,pra nunca lhe deixar
Alumiou
O meu caminho, fez do meu riso o mais preciso, voto conciso, lhe espero até voltar.
Vai aprender a não me esquecer só com esse nó
Fique à vontade, inteiro e não metade, não me deixe só

Refrão:

Fiz do seu ato,auto-retrato. Do seu auto,o maior fato
Deixo em seu prato timidamente meu olhar mais feliz
Aviador de toda cor, o esplendor de um sonhador
Ocupa, amor, bem envolvente, meu bem que me quis.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desculpas

Desculpas no sentido de pretexto. Uma música que poderia parecer bem bobinha se tornou muito interessante quando o santo que baixou me faz fazê-la como bossa-nova. Muito gostosa de escutar, de cantar. E tem exatamente o mesmo destinatário da música Além de Você. Em algum momento da minha vida, alguém estava com uma moral altíssima comigo. Música que veio no dia 21 de abril de 2006, ano de vestibular que foi muito produtivo


Desculpas – Flávia Ellen

Não há mal algum em ficar sem ar se for por causa de um beijo
Não vejo nenhum problema em satisfazer um desejo, em quebrar o medo do mundo, do escuro
Pra que falar boa noite se podemos passar a noite inteira acordados procurando uma estrela maior
Se dizem por aí que o amor melhora o mundo, por que não ficarmos juntos por um mundo melhor

Por que não a gentileza em saber a música que você gosta de cor
Por que não as segundas intenções se elas forem boas
Dos males o menor,dos males o melhor

Se dizem por aí que é ruim ficar sozinho
Eu posso passar um bom tempo ao seu lado
Se dizem por aí que os erros são inevitáveis
Eu posso te ajudar a fazer algo bem errado

Se tem alguma coisa errada, que sejam as notas dessa canção
Se tem alguma porta aberta, que seja a do seu coração

Se for pra morrer, que seja de amor
Se for pra pintar, que não seja de uma cor
Se for pra chorar, que seja de alegria
Se for pra me amar, que seja todo dia
Que seja todo dia só eu e você