sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobreamor

Adeus, meu amor.

Hoje me despeço de você como quem se despede de uma vida. De uma história bem vivida.

Hoje me despeço de um amor que soube ser tudo, mas não soube vir na hora certa. Me despeço com as mesmas lágrimas que o amor criou ao tocar você, com o mesmo calor que soube lhe sentir.

Me despeço a contra gosto, é bem verdade e já havia dito, mas o faço com a certeza de que algo muito maior virá.

Cego e esperando, me contento com a espera da materialização do nosso sobrenatural.

A.P.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Felicidade Clandestina"

É completamente ilegal, eu sei. Perdão por não ter compreendido antes. Agora sim.

Ah, meu amor. Nós somos humanos demais, é bem verdade. Somos o que nunca admitimos ser. Somos puro fogo. Movidos pelo nosso único instinto. Ser feliz.

Perdoe minhas mãos e meu afeto por terem feito crescer toda a vontade sua.

Perdão por ter alimentado sempre o que não deveria.

Mas ocorre que, ainda que ninguém tenha me contado, tudo chegou até mim. De uma forma que não queria, é verdade, mas meu amor agora é tímido. Descobriu que deve permanecer escondido para não ser pego.

Aconteceu. Agora é minha vez de sentir algo que não poderá ser meu. Perdão por não ter tido sensibilidade suficiente para perceber a sua, mas minha felicidade se encontra da sua forma no momento.

A fogo baixo.

Contra vontade.

Artur Peixoto

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Compor

De tantos escritos compostos me esqueci do metalinguístico texto.

Por que ainda sequer mencionei como é experimentar compor?
Por que ainda não revelei aquilo que muitos sabem como é?

Porque eu sou vaidosa. Ah, e como sou...

Não quero contar a vocês que meus olhos brilham ao terminar o último verso.
Não quero contar que meu peito se enche, fazendo sair um suspiro aliviado.
Não quero contar que às vezes eu me emociono com o que faço.

É vaidade demais...

E nessa brincadeira de me gabar sem que ninguém saiba, eu já fiz tantas e tantas músicas. A maioria delas pra vocês.

Desconhecidos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"..."

Eu não tenho tempo pra lhe escrever. Nem pra ninguém.

Não tenho tempo de cobrar sua presença, sua promessa, sua filha.
Não tenho tempo de pensar em você da forma que merece.
Não tenho tempo de dizer coisas bonitas, de lhe mandar emails enormes dizendo amores e saudades.
Não tenho tempo pra você, que parece não querer que eu tenha.

Então, combinemos o seguinte.

Quando você tiver o tempo que eu quero e que você quer, me avise.
Acene com um suspiro.

Seja você quem for.


[INFORMO AOS MEUS LEITORES QUE ME ENCONTRO SEM TEMPO, DE FATO. QUANDO CONSEGUIR ESCREVER ALGO QUE PRESTE, EU RETORNO. NÃO DEVE DEMORAR, PROMETO]

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Reaprender

Reaprendendo com os erros.

Assim que me sinto atualmente. Um completo "breakdown" faz qualquer tolo insensível cair. Caí. E de tola que sou e fui, aprendi. Estou aprendendo. Reaprendendo. Com o samba ou sem ele.

Reaprendendo a aprender.
Rraprendendo a sorrir por motivos fúteis.
Reaprendendo a não dar tanta importância.
Reaprendendo a despreocupar.
Reaprendendo a dançar conforme a música.
Reaprendendo a respeitar.
Reaprendendo a ouvir. Ouvir de fato. Escutar. Mesmo.
Reaprendendo a falar. Com cuidado. O que sai não volta.
Reaprendendo a ficar calada.
Reaprendendo a sorrir mais. Muito mais do que já fiz.

Reaprendendo a tudo.
Vendo as coisas de um jeito mais leve. Mais feliz mesmo.

Reaprendendo a viver.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Belicoso

Feliz aqueles que sonham e que trovam. Que lutam e que amam.

Sem me estender, posto o que há muito foi escrito e que há pouco tempo me perguntaram de onde surgiu. Por essa música, uma das minhas primeiras de expressividade, sempre tive um carinho especial. E pra todos aqueles que me perguntaram, me misturo com Dom Quixote.


Triste Fortuna - Flávia Ellen 04/01/07

Olha ao longe quem vem vindo, o guerreiro trovador
Junto ao seu fiel amigo, escudeiro, grande navegador
Traz junto de si o retrato de sua querida donzela
Que tristonho deixou pra trás, esperando na janela.

Deixou pra trás também o seu legado, um menino levado
E um poema pra sua senhora, de homem enamorado
“Eu volto, meu bem, acredito não ser como o tempo, o vento
Que vai, destrói, não volta e não marca seu momento”.

Mal sabia o homem que a guerra estava ao lado
A glória, a honra, a fama, o medo e o destino ameaçado.

Homem virtuoso, sabe que tem um dever a cumprir
E junto a seu aliado, acredita que pode conseguir
Sem medo de cair, tem a força e a vontade pra levantar
Coragem pra seguir, erguer a cabeça e recomeçar.

Mas no meio dum fuá de guerreiros, esqueceu seu maior valor
Que antes de guerreiro era trovador e prefere o amor
Não viu nada, só a lança que em seu peito se alojou
Lembrou do tempo, do vento, do poema, e os olhos cerrou

Lembrou de sua linda dona e de todo seu amor
Da sua mãe que dizia: “ninguém contraria a vontade do Senhor”.
Como todo poeta, trovador, fui fugidio e fugaz
Marcou, deixou, se fez e agora se desfaz.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Em copo d'agua

Um ato de amar que se expressa de um jeito que lhe é peculiar. Ninguém melhor do que eu para entender seu desejo mudo. Ninguém melhor do que eu para ver no seu o meu andar. Meus passos juntos aos seus.

Um sorriso sempre à sua porta e um peito constantemente arfante. Um mundo inteiro aberto a você sem o menor medo, com a maior entrega. Entrou, sem pedir licença, sem se intimidar com esse novo lugar, sem se resumir. Se deixando entender nessa felicidade inexplicável e urgente.

Uma intensidade sem qualquer vestígio se fazia serenamente. Meio sem sentido, é verdade, mas com uma sinceridade que há muito tempo desconhecia. Sem qualquer invenção, os dias diminuíam de tamanho, e as horas passavam como passa o vento. E nessa mesma incrível velocidade, de forma sempre discreta, os gestos adquirem maior peso. Um afeto de muita paixão.

Não sendo completamente oculto, tudo isso se fazia num mistério. As ambições iguais e escondidas, as situações inéditas e surreais. Sem distinção de qual prevaleceria, compartilhamos sempre os mesmos anseios. Anseios bastante envolventes, por sinal.

Sei que de tudo isso que vivemos dia após dia, ficará guardada uma forma de amor tão intensa que nunca caberia em palavras.

Nem em qualquer lugar.
Passei a ver de outra forma a tempestade em copo d'agua.
Porque ainda que não mexa em nada, mexo com você.